Nas últimas aulas de Identidade e Cultura, a professora nos trouxe uma proposta de fazermos uma horta comunitária no bloco Beta, para dar mais uma funcionalidade àquele espaço e ainda deixá-lo mais bonito ainda e vivenciável.
Foi nos trazido uma mistura de terra com humus, sementes diversas e vários vasos e mudas também para que plantássemos e deixássemos os vasos expostos na janela do bloco, a fim de que crescessem. Deixamos à disposição das pessoas também, regadores e placas informativas para as pessoas que frequentam o espaço sobre os tipos de plantas que estavam cultivadas ali e quais cuidados cada uma exige.
Fizemos também "bombas" de sementes, que eram bolinhas de terra e humus com alguemas sementes dentro, que servem para reflorestar áreas. Fizemos nossas bombas e as lançamos por toda a área do simplinho, que também acabou se tornando um outro espaço de convivência entre os alunos, mesmo não estando dentro do espaço físico da universidade.
E assim o quadrimestre se findou. Várias histórias, várias memórias, mas o que mais foi importante e com certeza ficará registrado não apenas na minha, mas na memória de todos os alunos que frequentavam as aulas, foi a mensagem da professora Andrea Paula de que educação pode ser feita de outro jeito. A inovação é benéfica, o convívio é proveitoso, e a expressão de cada um, é rica.
Identidade e cultura UFABC
Blog criando com a finalidade de expor minhas experiências vivenciadas durante as aulas de Identidade e Cultura, ministradas pela Professora Doutora Andrea Paula, no 2º quadrimestre de 2015, na Universidade Federal do ABC.
domingo, 16 de agosto de 2015
Intervenções no Beta
Como uma das finalidades da disciplina era de expressarmos nossa cultura e nossa identidade, a professora propôs uma série de intervenções no bloco Beta, com colagens nas paredes, músicas, dança etc.
Fizemos isso em uma terça feira, porém na aula seguinte, todas as intervenções haviam sido removidas. Colagens, fotografias, maquetes. Tudo havia sido removido e jogado fora, sem nenhuma explicação por parte da prefeitura universitária.
Foi muito triste voltarmos ao Beta e ver que nosso trabalho havia sido jogado fora.
Porém isso serviu de um estimulo ainda maior para que nos empenhássemos ainda mais no trabalho.
Recomeçamos todo o processo de intervenção no espaço de convivência do bloco, e ele ficou lindo. A cada aula, a transformação era mais evidente, e o espaço ficava cada vez mais convidativo à convivência entre as pessoas.
Fizemos isso em uma terça feira, porém na aula seguinte, todas as intervenções haviam sido removidas. Colagens, fotografias, maquetes. Tudo havia sido removido e jogado fora, sem nenhuma explicação por parte da prefeitura universitária.
Foi muito triste voltarmos ao Beta e ver que nosso trabalho havia sido jogado fora.
Porém isso serviu de um estimulo ainda maior para que nos empenhássemos ainda mais no trabalho.
Recomeçamos todo o processo de intervenção no espaço de convivência do bloco, e ele ficou lindo. A cada aula, a transformação era mais evidente, e o espaço ficava cada vez mais convidativo à convivência entre as pessoas.
Clube de trocas 2.0
Infelizmente tive meu celular roubado no meio do quadrimestre, e perdi algumas fotos que não estavam salvas no computador. Após o Clube de Trocas que envolvia apenas objetos que trouxemos, foi realizado um em que trouxemos comidas.
Teve comida de todo tipo, doce, salgada, em todas as quantidades.
Não tivemos a participação da professora nessa aula, então nos reunimos no hall do bloco Beta e enquanto comíamos, discutimos assuntos diversos, desde a situação de cada um no quadrimestre, até a situação política do país. Foi com certeza uma aula muito proveitosa, e serviu para conhecer vários colegas de turma que eu sempre via durante as aulas, mas com quem nunca conversei. Até hoje conversamos quando nos encontramos pela universidade.
Teve comida de todo tipo, doce, salgada, em todas as quantidades.
Não tivemos a participação da professora nessa aula, então nos reunimos no hall do bloco Beta e enquanto comíamos, discutimos assuntos diversos, desde a situação de cada um no quadrimestre, até a situação política do país. Foi com certeza uma aula muito proveitosa, e serviu para conhecer vários colegas de turma que eu sempre via durante as aulas, mas com quem nunca conversei. Até hoje conversamos quando nos encontramos pela universidade.
Clube de Trocas
O
clube de trocas foi uma proposta da professora para que pudéssemos parar e
refletir sobre o valor que os objetos tem para nós. É tão dificil nos decidirmos
por qual objeto doar. É uma ideia muito inusual em nossos dias, onde ninguém dá
nada a ninguém, onde nada vem de graça.
Por causa da nossa cultura
capitalista e valorizadora dos bens materiais, essa prática de apenas se
desprender dos objetos e doá-los a alguém, é vista com desconfiança por alguns,
ou com maravilhosidade por outros, porque uma pessoa que consegue fazer isso de
bom grado, rompeu com todas as correntes opressoras do capitalismo, que nos faz
acreditar que uma coisa só tem valor se ela é comprada.
Durante o clube de trocas, pude ver
objetos interessantes que as pessoas doaram: esmaltes, brincos, livros, moedas
e vários objetos sortidos dos quais não me lembro. O curioso, é que cada
objeto, por mais simples que fosse, carregava uma história. Trazia consigo uma
memória pertencente ao dono, mas que fazia do objeto parte fundamental.
Eu deixei doei um bloquinho post it (papel adesivo para deixar
pequenos recados). O bloquinho me lembrou muito a antiga república na qual vivi
por cerca de 8 meses em Santo André. O usava para avisar aos meus amigos sobre alguma
comida que tinha na geladeira, para pedir algo, para avisar algo e para os mais
diversos fins imagináveis. Foi um tempo muito proveitoso e muito gostoso da
minha vida, onde passei muitas dificuldades, de cunho social (não é nada fácil
morar no mesmo lugar que pessoas as quais você acabou de conhecer), financeiro,
psicológico (nunca sabemos o quão fracos e fortes podemos ser ao mesmo tempo,
quando não temos nossa família por perto) e etc. Mas também vivi os momentos
mais mágicos da minha vida, onde pude desfrutar de total liberdade, como jamais
havia acontecido antes. Muitas alegrias e
momentos bons estiveram comigo durante o tempo em que morei naquele lugar.
Decidi doar o bloquinho pois, além
de me trazer boas recordações, é um objeto útil que pode fazer a vida de alguém
ser um pouco mais fácil ou divertida, nem que seja apenas em algumas situações,
assim como foi para mim.
Em troca do bloquinho, eu peguei um
atlas geográfico. Sou fascinado pela geografia em todos os seus aspectos, e
desde sempre gostei de mapas, informações sobre os lugares, IDH, renda per
capita e tudo mais relacionado a essa ciência. É um objeto que não me custou
financeiramente nada, mas é atualmente um dos quais eu mais gosto, pois além do
meu amor pela geografia, ele me será útil para ministrar as aulas que eu dou - que
são de geografia -, portanto ele me servirá não só porque gosto do assunto do
qual ele trata, mas também me ajudará em meu trabalho.
Com o clube de
trocas algumas questões foram levantadas na sala, com a apresentação de alguns materiais
que a professora havia trazido da Bienal, e o que mais chamou minha atenção,
pela forma como nos pergunta direta e profundamente, foi essa imagem:
Por que guardamos as coisas? Muitas delas não têm significado direto nenhum, por que o sentimento da posse é tão valorizado em nossa sociedade?
Gilles Deleuze
Nessa
aula a professora trabalhou com um texto muito interessante sobre o filósofo
francês Gilles Deleuze. Eu nunca havia ouvido falar sobre ele, mas achei o
texto apresentado a nós incrível. Citarei um trecho em breve.
O
ponto marcante da aula foi quando, a professora começou a compartilhar memórias
que ela tinha de situações no mínimo, inusitadas.
Uma
de suas memórias foi um trabalho de extensão que ela tem na universidade, que
conta com a participação de algumas idosas que se reúnem para dançarem em roda.
Achei a ideia muito legal e criativa, pois é saudável para a as idosas de
várias formas, estimulando-as a manterem convívio com as pessoas, e praticar a
dança, que é um excelente exercício físico.
Durante
sua fala, ela nos contou que levou as senhoras para o campus de Santo André da
nossa universidade, e que propôs uma roda de dança no meio da rampa de acesso
ao bloco principal. No começo, os alunos estranharam aquela circulação incomum
de pessoas que geralmente, não encontramos na universidade, e muitos deles
pararam para observar o que significava aquelas senhoras naquele espaço e um
equipamento de som montado ali, ao ar livre.
A
música foi solta. As senhoras começaram a formar a sua roda e dançar. Os alunos agiram de maneiras
diferentes: alguns iam embora, alguns observando à distância, outros se aproximando
e observando com curiosidade.
Á
medida em que o número de pessoas ao redor das senhoras ia aumentando, elas
saíram da roda e foram convidar os alunos à dança, o que para o espanto de
todos, vários aceitaram, fazendo a roda crescer e aquele momento ser único e
divertido para todos os envolvidos.
Isso
quebrou a rotina daquele lugar. Serviu para que aquelas pessoas, se sentissem
livres por um pouco de tempo. Porque dançar em roda no meio da rampa de uma
universidade?
Por que NÃO dançar?
Essa
ação, colocou em conflito um meio de confinamento com o qual estou muito
familiarizado: a universidade.
“Encontramo-nos numa crise
generalizada de todos os meios de confinamento, prisão, hospital, fábrica,
escola, família. A família é um “interior”, em crise como qualquer outro
interior, escolar, profissional, etc. Os ministros competentes não param de anunciar
reformas supostamente necessárias. Reformar a escola, reformar a indústria, o
hospital, o exército, a prisão; mas nem todos sabem que essas instituições
estão condenadas, num prazo mais ou menos longo. Trata-se apenas de gerir sua
agonia e ocupar as pessoas, até a instalação das novas forças que se anunciam.”
(DELEUZE, Gilles).
Primeiro contato com Identidade e Cultura
Cultura: É usada pelo homens para atribuir
signifciado a tudo, dá explicação aos fenômenos observados e vivdos pelos
diversos povos ao redor do mundo. Pode também ser vista sob a perspectiva de um
modo de vida que uma sociedade leva.
A
cultura sempre está em transofrmação, e essa mudança pode ser muito impactante
para a vida das pessoas que vivem sob sua influência. Podemos observar o atual
cenário nacional, de inconformidade da parte de milhões de pessoas com as
novoas causas sociais, como o debate pelos direitos dos homossexuais, por
exemplo. Foi uma parte da população que sempre viveu à margem da sociedade,
sofrendo preconceitos e violência (de forma física e verbal), tanto por parte
das pessoas quanto pelo Estado. Hoje esse grupo de pessoas se posiciona
ativamente, não que não houvesse um posicionamento no passado em busca de
direitos, mas hoje esse posicionamento é maior, mais claro, objetivo.
Nosso
país nasceu sob uma cultura cristã, na qual a homossexualidade é tratada com
desdém, por se tratar de uma abominação aos olhos do deus da religião. Os
homossexuais enfrentam ainda muita perseguição e retaliação por grande parte da
sociedade, isso pode ser um sinal de que a cultura brasileira esteja mudando,
de uma cultura quase que totalmente cristã, para uma em que as pessoas não se
prendem tanto a religião e sejam mais abertas a diálogos e posicionamentos mais
liberais.
A
professora em discussão sobre o assunto (cultura), aprensentou-nos o conceito
de etnocentrismo que significa a
valorização da sua cultura em detrimento das outras. Podemos observar esse
fenômeno várias vezes durante o nosso cotidiano, fazendo observação sobre a
reação e fala das pessoas, sobre as religiões de origem africana, por exemplo,
como o candomblé e a umbanda, que são totalmente subjulgadas a “superioridade”
do cristianismo (na sociedade brasileira), e que até sofre preconceito e também
atos de intolerância religiosa. Citando apenas um exemplo de etnocentrismo, sem
falar dos homossexuais, dos ciganos, dos estrangeiros que vêm de países
subdesenvolvidos para o Brasil, e etc.
Todos que sofrem opressão fundamentada no etnocentrismo.
O
conceito de identidade foi definido
como o sentido de pertencimento e localização no tempo e no espaço e, em
referência a um ou a vários grupos.
Basicamente,
quando pessoas se identificam coom outras que tem crenças e hábitos semelhantes
aos seus, acontece aí uma relação de identidade entre elas, porque passam a
compartilhar do mesmo espaço para realizar suas práticas ou discutir suas
ideias em comum.
Subjetividade foi definida como o mundo íntimo e
particular de alguém, que não pode ser percebido por outros indivíduos, e que
muitas vezes não é compreendida pelo próprio indivíduo sobre a qual ela está
agindo. Os sentimentos, pensamentos, vontades, sonhos e planos que as pessoas
fazem em seu interior e que não compartilham com mais ninguém, e por se tratar
de coisas tão íntimas e não expostas, acaba sendo um mistério para o próprio
indivíduo. Quem nunca se viu confuso ou perturbado diante de um pensamento ou
desejo que veio de si próprio?
Alteridade é a capacidade de reconhecimento do
outros, necessária para a construção dos sujeitos com suas próprias
identidades. Ela é responsável por nos identificarmos com as outras pessoas,
responsável por nos fazer encaixar em alguma identidade social, porque ela nos
faz olhar para o outro e compreendê-lo como indivíduo único e que tem suas
próprias qualidades e vontades como ser, mas que podem ser semelhantes às suas.
Performance são os comportamentos que usamos para
expressar a nossa cultura. Um exemplo disso pode ser as drag queens, que para expressar a sua cultura, usam suas roupas
características, falam suas gírias típicas, agem de um jeito típico também e
etc. Na performance, aconteceu todos os estágios de identificação cultural que
vimos: identidade, subjetividade e
alteridade, que aqui são expressos para que possam ser vistos e revelar o
indivíduo, em todo o seu esplendor de individualidade, porém pertencente a um
grupo social.
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