Nessa
aula a professora trabalhou com um texto muito interessante sobre o filósofo
francês Gilles Deleuze. Eu nunca havia ouvido falar sobre ele, mas achei o
texto apresentado a nós incrível. Citarei um trecho em breve.
O
ponto marcante da aula foi quando, a professora começou a compartilhar memórias
que ela tinha de situações no mínimo, inusitadas.
Uma
de suas memórias foi um trabalho de extensão que ela tem na universidade, que
conta com a participação de algumas idosas que se reúnem para dançarem em roda.
Achei a ideia muito legal e criativa, pois é saudável para a as idosas de
várias formas, estimulando-as a manterem convívio com as pessoas, e praticar a
dança, que é um excelente exercício físico.
Durante
sua fala, ela nos contou que levou as senhoras para o campus de Santo André da
nossa universidade, e que propôs uma roda de dança no meio da rampa de acesso
ao bloco principal. No começo, os alunos estranharam aquela circulação incomum
de pessoas que geralmente, não encontramos na universidade, e muitos deles
pararam para observar o que significava aquelas senhoras naquele espaço e um
equipamento de som montado ali, ao ar livre.
A
música foi solta. As senhoras começaram a formar a sua roda e dançar. Os alunos agiram de maneiras
diferentes: alguns iam embora, alguns observando à distância, outros se aproximando
e observando com curiosidade.
Á
medida em que o número de pessoas ao redor das senhoras ia aumentando, elas
saíram da roda e foram convidar os alunos à dança, o que para o espanto de
todos, vários aceitaram, fazendo a roda crescer e aquele momento ser único e
divertido para todos os envolvidos.
Isso
quebrou a rotina daquele lugar. Serviu para que aquelas pessoas, se sentissem
livres por um pouco de tempo. Porque dançar em roda no meio da rampa de uma
universidade?
Por que NÃO dançar?
Essa
ação, colocou em conflito um meio de confinamento com o qual estou muito
familiarizado: a universidade.
“Encontramo-nos numa crise
generalizada de todos os meios de confinamento, prisão, hospital, fábrica,
escola, família. A família é um “interior”, em crise como qualquer outro
interior, escolar, profissional, etc. Os ministros competentes não param de anunciar
reformas supostamente necessárias. Reformar a escola, reformar a indústria, o
hospital, o exército, a prisão; mas nem todos sabem que essas instituições
estão condenadas, num prazo mais ou menos longo. Trata-se apenas de gerir sua
agonia e ocupar as pessoas, até a instalação das novas forças que se anunciam.”
(DELEUZE, Gilles).
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