domingo, 16 de agosto de 2015

Gilles Deleuze

Nessa aula a professora trabalhou com um texto muito interessante sobre o filósofo francês Gilles Deleuze. Eu nunca havia ouvido falar sobre ele, mas achei o texto apresentado a nós incrível. Citarei um trecho em breve.
O ponto marcante da aula foi quando, a professora começou a compartilhar memórias que ela tinha de situações no mínimo, inusitadas.
Uma de suas memórias foi um trabalho de extensão que ela tem na universidade, que conta com a participação de algumas idosas que se reúnem para dançarem em roda. Achei a ideia muito legal e criativa, pois é saudável para a as idosas de várias formas, estimulando-as a manterem convívio com as pessoas, e praticar a dança, que é um excelente exercício físico.
Durante sua fala, ela nos contou que levou as senhoras para o campus de Santo André da nossa universidade, e que propôs uma roda de dança no meio da rampa de acesso ao bloco principal. No começo, os alunos estranharam aquela circulação incomum de pessoas que geralmente, não encontramos na universidade, e muitos deles pararam para observar o que significava aquelas senhoras naquele espaço e um equipamento de som montado ali, ao ar livre.
A música foi solta. As senhoras começaram a formar a sua roda e  dançar. Os alunos agiram de maneiras diferentes: alguns iam embora, alguns observando à distância, outros se aproximando e observando com curiosidade.
Á medida em que o número de pessoas ao redor das senhoras ia aumentando, elas saíram da roda e foram convidar os alunos à dança, o que para o espanto de todos, vários aceitaram, fazendo a roda crescer e aquele momento ser único e divertido para todos os envolvidos.
Isso quebrou a rotina daquele lugar. Serviu para que aquelas pessoas, se sentissem livres por um pouco de tempo. Porque dançar em roda no meio da rampa de uma universidade?
Por que NÃO dançar?
Essa ação, colocou em conflito um meio de confinamento com o qual estou muito familiarizado: a universidade.
“Encontramo-nos numa crise generalizada de todos os meios de confinamento, prisão, hospital, fábrica, escola, família. A família é um “interior”, em crise como qualquer outro interior, escolar, profissional, etc. Os ministros competentes não param de anunciar reformas supostamente necessárias. Reformar a escola, reformar a indústria, o hospital, o exército, a prisão; mas nem todos sabem que essas instituições estão condenadas, num prazo mais ou menos longo. Trata-se apenas de gerir sua agonia e ocupar as pessoas, até a instalação das novas forças que se anunciam.”

(DELEUZE, Gilles).

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