domingo, 16 de agosto de 2015

Clube de Trocas

O clube de trocas foi uma proposta da professora para que pudéssemos parar e refletir sobre o valor que os objetos tem para nós. É tão dificil nos decidirmos por qual objeto doar. É uma ideia muito inusual em nossos dias, onde ninguém dá nada a ninguém, onde nada vem de graça.
            Por causa da nossa cultura capitalista e valorizadora dos bens materiais, essa prática de apenas se desprender dos objetos e doá-los a alguém, é vista com desconfiança por alguns, ou com maravilhosidade por outros, porque uma pessoa que consegue fazer isso de bom grado, rompeu com todas as correntes opressoras do capitalismo, que nos faz acreditar que uma coisa só tem valor se ela é comprada.
            Durante o clube de trocas, pude ver objetos interessantes que as pessoas doaram: esmaltes, brincos, livros, moedas e vários objetos sortidos dos quais não me lembro. O curioso, é que cada objeto, por mais simples que fosse, carregava uma história. Trazia consigo uma memória pertencente ao dono, mas que fazia do objeto parte fundamental.
            Eu deixei doei um bloquinho post it (papel adesivo para deixar pequenos recados). O bloquinho me lembrou muito a antiga república na qual vivi por cerca de 8 meses em Santo André. O usava para avisar aos meus amigos sobre alguma comida que tinha na geladeira, para pedir algo, para avisar algo e para os mais diversos fins imagináveis. Foi um tempo muito proveitoso e muito gostoso da minha vida, onde passei muitas dificuldades, de cunho social (não é nada fácil morar no mesmo lugar que pessoas as quais você acabou de conhecer), financeiro, psicológico (nunca sabemos o quão fracos e fortes podemos ser ao mesmo tempo, quando não temos nossa família por perto) e etc. Mas também vivi os momentos mais mágicos da minha vida, onde pude desfrutar de total liberdade, como jamais havia acontecido antes. Muitas alegrias e momentos bons estiveram comigo durante o tempo em que morei naquele lugar.
            Decidi doar o bloquinho pois, além de me trazer boas recordações, é um objeto útil que pode fazer a vida de alguém ser um pouco mais fácil ou divertida, nem que seja apenas em algumas situações, assim como foi para mim.

            Em troca do bloquinho, eu peguei um atlas geográfico. Sou fascinado pela geografia em todos os seus aspectos, e desde sempre gostei de mapas, informações sobre os lugares, IDH, renda per capita e tudo mais relacionado a essa ciência. É um objeto que não me custou financeiramente nada, mas é atualmente um dos quais eu mais gosto, pois além do meu amor pela geografia, ele me será útil para ministrar as aulas que eu dou - que são de geografia -, portanto ele me servirá não só porque gosto do assunto do qual ele trata, mas também me ajudará em meu trabalho.





Com o clube de trocas algumas questões foram levantadas na sala, com a apresentação de alguns materiais que a professora havia trazido da Bienal, e o que mais chamou minha atenção, pela forma como nos pergunta direta e profundamente, foi essa imagem:


Por que guardamos as coisas? Muitas delas não têm significado direto nenhum, por que o sentimento da posse é tão valorizado em nossa sociedade?

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