O
clube de trocas foi uma proposta da professora para que pudéssemos parar e
refletir sobre o valor que os objetos tem para nós. É tão dificil nos decidirmos
por qual objeto doar. É uma ideia muito inusual em nossos dias, onde ninguém dá
nada a ninguém, onde nada vem de graça.
Por causa da nossa cultura
capitalista e valorizadora dos bens materiais, essa prática de apenas se
desprender dos objetos e doá-los a alguém, é vista com desconfiança por alguns,
ou com maravilhosidade por outros, porque uma pessoa que consegue fazer isso de
bom grado, rompeu com todas as correntes opressoras do capitalismo, que nos faz
acreditar que uma coisa só tem valor se ela é comprada.
Durante o clube de trocas, pude ver
objetos interessantes que as pessoas doaram: esmaltes, brincos, livros, moedas
e vários objetos sortidos dos quais não me lembro. O curioso, é que cada
objeto, por mais simples que fosse, carregava uma história. Trazia consigo uma
memória pertencente ao dono, mas que fazia do objeto parte fundamental.
Eu deixei doei um bloquinho post it (papel adesivo para deixar
pequenos recados). O bloquinho me lembrou muito a antiga república na qual vivi
por cerca de 8 meses em Santo André. O usava para avisar aos meus amigos sobre alguma
comida que tinha na geladeira, para pedir algo, para avisar algo e para os mais
diversos fins imagináveis. Foi um tempo muito proveitoso e muito gostoso da
minha vida, onde passei muitas dificuldades, de cunho social (não é nada fácil
morar no mesmo lugar que pessoas as quais você acabou de conhecer), financeiro,
psicológico (nunca sabemos o quão fracos e fortes podemos ser ao mesmo tempo,
quando não temos nossa família por perto) e etc. Mas também vivi os momentos
mais mágicos da minha vida, onde pude desfrutar de total liberdade, como jamais
havia acontecido antes. Muitas alegrias e
momentos bons estiveram comigo durante o tempo em que morei naquele lugar.
Decidi doar o bloquinho pois, além
de me trazer boas recordações, é um objeto útil que pode fazer a vida de alguém
ser um pouco mais fácil ou divertida, nem que seja apenas em algumas situações,
assim como foi para mim.
Em troca do bloquinho, eu peguei um
atlas geográfico. Sou fascinado pela geografia em todos os seus aspectos, e
desde sempre gostei de mapas, informações sobre os lugares, IDH, renda per
capita e tudo mais relacionado a essa ciência. É um objeto que não me custou
financeiramente nada, mas é atualmente um dos quais eu mais gosto, pois além do
meu amor pela geografia, ele me será útil para ministrar as aulas que eu dou - que
são de geografia -, portanto ele me servirá não só porque gosto do assunto do
qual ele trata, mas também me ajudará em meu trabalho.
Com o clube de
trocas algumas questões foram levantadas na sala, com a apresentação de alguns materiais
que a professora havia trazido da Bienal, e o que mais chamou minha atenção,
pela forma como nos pergunta direta e profundamente, foi essa imagem:
Por que guardamos as coisas? Muitas delas não têm significado direto nenhum, por que o sentimento da posse é tão valorizado em nossa sociedade?



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