domingo, 16 de agosto de 2015

Horta Comunitária - Fim do quadrimestre

Nas últimas aulas de Identidade e Cultura, a professora nos trouxe uma proposta de fazermos uma horta comunitária no bloco Beta, para dar mais uma funcionalidade àquele espaço e ainda deixá-lo mais bonito ainda e vivenciável.
Foi nos trazido uma mistura de terra com humus, sementes diversas e vários vasos e mudas também para que plantássemos e deixássemos os vasos expostos na janela do bloco, a fim de que crescessem. Deixamos à disposição das pessoas também, regadores e placas informativas para as pessoas que frequentam o espaço sobre os tipos de plantas que estavam cultivadas ali e quais cuidados cada uma exige.
Fizemos também "bombas" de sementes, que eram bolinhas de terra e humus com alguemas sementes dentro, que servem para reflorestar áreas. Fizemos nossas bombas e as lançamos por toda a área do simplinho, que também acabou se tornando um outro espaço de convivência entre os alunos, mesmo não estando dentro do espaço físico da universidade.


E assim o quadrimestre se findou. Várias histórias, várias memórias, mas o que mais foi importante e com certeza ficará registrado não apenas na minha, mas na memória de todos os alunos que frequentavam as aulas, foi a mensagem da professora Andrea Paula de que educação pode ser feita de outro jeito. A inovação é benéfica, o convívio é proveitoso, e a expressão de cada um, é rica.

Intervenções no Beta

Como uma das finalidades da disciplina era de expressarmos nossa cultura e nossa identidade, a professora propôs uma série de intervenções no bloco Beta, com colagens nas paredes, músicas, dança etc.
Fizemos isso em uma terça feira, porém na aula seguinte, todas as intervenções haviam sido removidas. Colagens, fotografias, maquetes. Tudo havia sido removido e jogado fora, sem nenhuma explicação por parte da prefeitura universitária.
Foi muito triste voltarmos ao Beta e ver que nosso trabalho havia sido jogado fora.

Porém isso serviu de um estimulo ainda maior para que nos empenhássemos ainda mais no trabalho.
Recomeçamos todo o processo de intervenção no espaço de convivência do bloco, e ele ficou lindo. A cada aula, a transformação era mais evidente, e o espaço ficava cada vez mais convidativo à convivência entre as pessoas.




Clube de trocas 2.0

Infelizmente tive meu celular roubado no meio do quadrimestre, e perdi algumas fotos que não estavam salvas no computador. Após o Clube de Trocas que envolvia apenas objetos que trouxemos, foi realizado um em que trouxemos comidas. 
Teve comida de todo tipo, doce, salgada, em todas as quantidades. 
Não tivemos a participação da professora nessa aula, então nos reunimos no hall do bloco Beta e enquanto comíamos, discutimos assuntos diversos, desde a situação de cada um no quadrimestre, até a situação política do país. Foi com certeza uma aula muito proveitosa, e serviu para conhecer vários colegas de turma que eu sempre via durante as aulas, mas com quem nunca conversei. Até hoje conversamos quando nos encontramos pela universidade. 

Clube de Trocas

O clube de trocas foi uma proposta da professora para que pudéssemos parar e refletir sobre o valor que os objetos tem para nós. É tão dificil nos decidirmos por qual objeto doar. É uma ideia muito inusual em nossos dias, onde ninguém dá nada a ninguém, onde nada vem de graça.
            Por causa da nossa cultura capitalista e valorizadora dos bens materiais, essa prática de apenas se desprender dos objetos e doá-los a alguém, é vista com desconfiança por alguns, ou com maravilhosidade por outros, porque uma pessoa que consegue fazer isso de bom grado, rompeu com todas as correntes opressoras do capitalismo, que nos faz acreditar que uma coisa só tem valor se ela é comprada.
            Durante o clube de trocas, pude ver objetos interessantes que as pessoas doaram: esmaltes, brincos, livros, moedas e vários objetos sortidos dos quais não me lembro. O curioso, é que cada objeto, por mais simples que fosse, carregava uma história. Trazia consigo uma memória pertencente ao dono, mas que fazia do objeto parte fundamental.
            Eu deixei doei um bloquinho post it (papel adesivo para deixar pequenos recados). O bloquinho me lembrou muito a antiga república na qual vivi por cerca de 8 meses em Santo André. O usava para avisar aos meus amigos sobre alguma comida que tinha na geladeira, para pedir algo, para avisar algo e para os mais diversos fins imagináveis. Foi um tempo muito proveitoso e muito gostoso da minha vida, onde passei muitas dificuldades, de cunho social (não é nada fácil morar no mesmo lugar que pessoas as quais você acabou de conhecer), financeiro, psicológico (nunca sabemos o quão fracos e fortes podemos ser ao mesmo tempo, quando não temos nossa família por perto) e etc. Mas também vivi os momentos mais mágicos da minha vida, onde pude desfrutar de total liberdade, como jamais havia acontecido antes. Muitas alegrias e momentos bons estiveram comigo durante o tempo em que morei naquele lugar.
            Decidi doar o bloquinho pois, além de me trazer boas recordações, é um objeto útil que pode fazer a vida de alguém ser um pouco mais fácil ou divertida, nem que seja apenas em algumas situações, assim como foi para mim.

            Em troca do bloquinho, eu peguei um atlas geográfico. Sou fascinado pela geografia em todos os seus aspectos, e desde sempre gostei de mapas, informações sobre os lugares, IDH, renda per capita e tudo mais relacionado a essa ciência. É um objeto que não me custou financeiramente nada, mas é atualmente um dos quais eu mais gosto, pois além do meu amor pela geografia, ele me será útil para ministrar as aulas que eu dou - que são de geografia -, portanto ele me servirá não só porque gosto do assunto do qual ele trata, mas também me ajudará em meu trabalho.





Com o clube de trocas algumas questões foram levantadas na sala, com a apresentação de alguns materiais que a professora havia trazido da Bienal, e o que mais chamou minha atenção, pela forma como nos pergunta direta e profundamente, foi essa imagem:


Por que guardamos as coisas? Muitas delas não têm significado direto nenhum, por que o sentimento da posse é tão valorizado em nossa sociedade?

Gilles Deleuze

Nessa aula a professora trabalhou com um texto muito interessante sobre o filósofo francês Gilles Deleuze. Eu nunca havia ouvido falar sobre ele, mas achei o texto apresentado a nós incrível. Citarei um trecho em breve.
O ponto marcante da aula foi quando, a professora começou a compartilhar memórias que ela tinha de situações no mínimo, inusitadas.
Uma de suas memórias foi um trabalho de extensão que ela tem na universidade, que conta com a participação de algumas idosas que se reúnem para dançarem em roda. Achei a ideia muito legal e criativa, pois é saudável para a as idosas de várias formas, estimulando-as a manterem convívio com as pessoas, e praticar a dança, que é um excelente exercício físico.
Durante sua fala, ela nos contou que levou as senhoras para o campus de Santo André da nossa universidade, e que propôs uma roda de dança no meio da rampa de acesso ao bloco principal. No começo, os alunos estranharam aquela circulação incomum de pessoas que geralmente, não encontramos na universidade, e muitos deles pararam para observar o que significava aquelas senhoras naquele espaço e um equipamento de som montado ali, ao ar livre.
A música foi solta. As senhoras começaram a formar a sua roda e  dançar. Os alunos agiram de maneiras diferentes: alguns iam embora, alguns observando à distância, outros se aproximando e observando com curiosidade.
Á medida em que o número de pessoas ao redor das senhoras ia aumentando, elas saíram da roda e foram convidar os alunos à dança, o que para o espanto de todos, vários aceitaram, fazendo a roda crescer e aquele momento ser único e divertido para todos os envolvidos.
Isso quebrou a rotina daquele lugar. Serviu para que aquelas pessoas, se sentissem livres por um pouco de tempo. Porque dançar em roda no meio da rampa de uma universidade?
Por que NÃO dançar?
Essa ação, colocou em conflito um meio de confinamento com o qual estou muito familiarizado: a universidade.
“Encontramo-nos numa crise generalizada de todos os meios de confinamento, prisão, hospital, fábrica, escola, família. A família é um “interior”, em crise como qualquer outro interior, escolar, profissional, etc. Os ministros competentes não param de anunciar reformas supostamente necessárias. Reformar a escola, reformar a indústria, o hospital, o exército, a prisão; mas nem todos sabem que essas instituições estão condenadas, num prazo mais ou menos longo. Trata-se apenas de gerir sua agonia e ocupar as pessoas, até a instalação das novas forças que se anunciam.”

(DELEUZE, Gilles).

Primeiro contato com Identidade e Cultura

Cultura: É usada pelo homens para atribuir signifciado a tudo, dá explicação aos fenômenos observados e vivdos pelos diversos povos ao redor do mundo. Pode também ser vista sob a perspectiva de um modo de vida que uma sociedade leva.
A cultura sempre está em transofrmação, e essa mudança pode ser muito impactante para a vida das pessoas que vivem sob sua influência. Podemos observar o atual cenário nacional, de inconformidade da parte de milhões de pessoas com as novoas causas sociais, como o debate pelos direitos dos homossexuais, por exemplo. Foi uma parte da população que sempre viveu à margem da sociedade, sofrendo preconceitos e violência (de forma física e verbal), tanto por parte das pessoas quanto pelo Estado. Hoje esse grupo de pessoas se posiciona ativamente, não que não houvesse um posicionamento no passado em busca de direitos, mas hoje esse posicionamento é maior, mais claro, objetivo.
Nosso país nasceu sob uma cultura cristã, na qual a homossexualidade é tratada com desdém, por se tratar de uma abominação aos olhos do deus da religião. Os homossexuais enfrentam ainda muita perseguição e retaliação por grande parte da sociedade, isso pode ser um sinal de que a cultura brasileira esteja mudando, de uma cultura quase que totalmente cristã, para uma em que as pessoas não se prendem tanto a religião e sejam mais abertas a diálogos e posicionamentos mais liberais. 
A professora em discussão sobre o assunto (cultura), aprensentou-nos o conceito de etnocentrismo que significa a valorização da sua cultura em detrimento das outras. Podemos observar esse fenômeno várias vezes durante o nosso cotidiano, fazendo observação sobre a reação e fala das pessoas, sobre as religiões de origem africana, por exemplo, como o candomblé e a umbanda, que são totalmente subjulgadas a “superioridade” do cristianismo (na sociedade brasileira), e que até sofre preconceito e também atos de intolerância religiosa. Citando apenas um exemplo de etnocentrismo, sem falar dos homossexuais, dos ciganos, dos estrangeiros que vêm de países subdesenvolvidos  para o Brasil, e etc. Todos que sofrem opressão fundamentada no etnocentrismo.
O conceito de identidade foi definido como o sentido de pertencimento e localização no tempo e no espaço e, em referência a um ou a vários grupos.
Basicamente, quando pessoas se identificam coom outras que tem crenças e hábitos semelhantes aos seus, acontece aí uma relação de identidade entre elas, porque passam a compartilhar do mesmo espaço para realizar suas práticas ou discutir suas ideias em comum.
Subjetividade foi definida como o mundo íntimo e particular de alguém, que não pode ser percebido por outros indivíduos, e que muitas vezes não é compreendida pelo próprio indivíduo sobre a qual ela está agindo. Os sentimentos, pensamentos, vontades, sonhos e planos que as pessoas fazem em seu interior e que não compartilham com mais ninguém, e por se tratar de coisas tão íntimas e não expostas, acaba sendo um mistério para o próprio indivíduo. Quem nunca se viu confuso ou perturbado diante de um pensamento ou desejo que veio de si próprio?

Alteridade é a capacidade de reconhecimento do outros, necessária para a construção dos sujeitos com suas próprias identidades. Ela é responsável por nos identificarmos com as outras pessoas, responsável por nos fazer encaixar em alguma identidade social, porque ela nos faz olhar para o outro e compreendê-lo como indivíduo único e que tem suas próprias qualidades e vontades como ser, mas que podem ser semelhantes às suas.

Performance são os comportamentos que usamos para expressar a nossa cultura. Um exemplo disso pode ser as drag queens, que para expressar a sua cultura, usam suas roupas características, falam suas gírias típicas, agem de um jeito típico também e etc. Na performance, aconteceu todos os estágios de identificação cultural que vimos: identidade, subjetividade e alteridade, que aqui são expressos para que possam ser vistos e revelar o indivíduo, em todo o seu esplendor de individualidade, porém pertencente a um grupo social.